Conceito
Vulnerabilidade semiótica
Função no regime
Localiza a assimetria p. 800. Na exposição do capítulo 5, é o ponto de partida. "Apresentá-la primeiro não é arbitrariedade expositiva" p. 394.
Sob o OIC
É nessa assimetria de produção de sentido que se prepara a categoria da vulnerabilidade semiótica, entendida como desvantagem estrutural na gramática de significados que orienta a relação do sujeito com o objeto imaterial de consumo.p. 104
Sem entender que o consumidor habita um ambiente cuja inteligibilidade é parcialmente reservada ao fornecedor, a definição do Objeto Imaterial de Consumo como feixe de fruição sustentado no tempo apareceria como mera descrição técnica do bem digital, e não como categoria que organiza imputação, prova e recomposição sob o Código de Defesa do Consumidor.p. 394
Definição canônica proposta
A vulnerabilidade semiótica pode ser definida, em síntese, como a condição objetiva de exposição do consumidor a uma desigualdade estrutural de inteligibilidade e de agência em ecossistemas de fruição governados por plataforma, nos quais a produção de sentido e a atribuição de valor dependem de códigos, métricas e regimes de visibilidade administrados pelo próprio ambiente.p. 396
Formulações concorrentes
A vulnerabilidade semiótica descreve, nesse plano, uma perda estrutural de capacidade de verificação, e não um defeito de atenção do consumidor.p. 281
Vulnerabilidade semiótica designa a exposição estrutural do consumidor ao controle unilateral, pela plataforma, das condições que fazem a promessa valer como entrega quando o bem é uma posição de fruição e não uma coisa autônoma.p. 321
Vulnerabilidade semiótica nomeia, assim, esse tipo de perda estrutural de demonstrabilidade que ocorre quando sentido, cena, equivalência e tempo integram materialmente o que é colocado em circulação e permanecem sob administração unilateral do ecossistema.p. 330
O termo não designa ingenuidade, credulidade ou deficiência cultural do consumidor. Designa um mecanismo de poder inscrito na arquitetura do fornecimento [...]p. 719-720
O que não é
O segundo trecho responde a uma pergunta que o site vai receber com frequência. Vulnerabilidade semiótica não é assimetria informacional.
Não basta que o caso envolva interface, algoritmo ou ambiente online.p. 721
O problema desloca-se, então, do "saber mais" para o "poder orientar-se e reagir".p. 396
Onde vive na tese
Nas leituras da tese
- Percurso do consumidordescreve a condição
- Percurso do julgadorgovernança do sentido e da inteligibilidade do vínculo
- Percurso do regimelocaliza a assimetria relevante
No Roteiro
No Laboratório
Páginas em que a tese nomeia o conceito, com o número de vezes.
- Dos OICs de funcionalidade cognitiva e regime de informação 1×
- Dos OICs de infraestrutura e intermediação 1×
- Dos OICs de produtividade sob a gig economy 1×
- Da administração de confiança à neutralização de conflitos por arquitetura 2×
- Da concorrência sob a Lex Plataformae 1×
- Do finalismo aprofundado e o consumidor equiparado em ecossistemas de plataforma 1×