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Técnica e mídia

Neil Postman

A abertura de capítulo que declara a função deste autor está em Fundamentos.

Na lista de referências

  • POSTMAN, Neil. Amusing ourselves to death: public discourse in the age of show business. New introduction by Andrew Postman. 20th anniversary ed. New York: Penguin Books, 2006.

Onde a tese o cita

28 trechos, na ordem da tese.

Neil Postman

A contribuição de Neil Postman (2006), influenciada por Ellul, desloca o diagnóstico técnico para o plano da mídia como forma cultural dominante.

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Neil Postman

Política, religião e educação passam a operar sob a gramática do entretenimento, em uma sociedade que se aproxima da condição de “amusing ourselves to death” (Postman, 2006, [p. 16]).

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Neil Postman

No campo político, a lógica visual desloca o peso do argumento para aparência, performance e administração de impressões, reduzindo a centralidade de programas, ideologias e confrontos substantivos de ideias (Postman, 2006, [p. 16]).

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Neil Postman

No domínio religioso, a televisão tende a converter a experiência de transcendência em espetáculo, esvaziando densidade ritual e profundidade simbólica (Postman, 2006, [p. 79]).

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Neil Postman

Na educação, consolida-se uma filosofia pedagógica orientada pela acessibilidade imediata e pelo contentamento, em detrimento do esforço cognitivo e da formação intelectual mais exigente (Postman, 2006, [p. 96]).

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Neil Postman

Postman (2006) permite compreender a mídia como forma de organização do conhecimento social, e não apenas como canal de circulação de mensagens.

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Neil Postman

A passagem da cultura tipográfica para a televisão não alterou apenas o suporte comunicacional; transformou critérios de verdade, inteligência e seriedade no discurso público (Postman, 2006, [p. 23]).

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Neil Postman

Sob esse regime, a televisão favorece a fragmentação, reduz a possibilidade de discursos mais complexos e substitui a coerência argumentativa da cultura tipográfica por conversas públicas marcadas pela trivialidade, pela ruptura de sequência e pelo abandono progressivo de lógica, razão e regras de contradição (Postman, 2006, [p. 58]).

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Neil Postman

Para Postman, a televisão a reconfigura como ramo do show business, transformando o debate público em produto compatível com entretenimento (Postman, 2006, [p. 16]).

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Neil Postman

Nesse contexto, “saber” política passa a significar familiaridade visual, e não necessariamente entendimento estruturado por linguagem e discurso (Postman, 2006, [p. 86]).

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Neil Postman

O processo crítico e aprofundado perde espaço para formas recreativas de acesso ao conteúdo, enquanto a dificuldade, a disciplina intelectual e a duração do esforço cognitivo passam a ser vistas como obstáculos à comunicação eficiente (Postman, 2006, [p. 146]).

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Neil Postman

Daí a afirmação de que televisão e cultura imagética não constituem apenas estilo de comunicação, mas ameaça aos fundamentos da democracia liberal, na medida em que atingem sua base material: a liberdade de informação (Postman, 2006, [p. 91]).

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Neil Postman

A imagem desmembra a realidade ao arrancar momentos de seus contextos e justapor eventos sem conexão lógica ou histórica, recriando o mundo como série de acontecimentos idiossincráticos (Postman, 2006, [p. 55]).

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Neil Postman

Nesse ambiente, a inteligência passa a significar saber muitas coisas, e não saber sobre elas, isto é, acumular dados desconexos sem compreensão aprofundada (Postman, 2006, [p. 74]).

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Neil Postman

A desinformação, portanto, não se reduz à falsidade; uma vez que também se manifesta como informação deslocada, irrelevante, fragmentada ou superficial, capaz de produzir ilusão de conhecimento e afastar o sujeito do conhecer efetivo (Postman, 2006, [p. 74]).

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Neil Postman

Essa forma de circulação informacional produz um presente sem historicidade, no qual a televisão opera como meio centrado no agora e dificulta a integração da experiência em uma narrativa temporal mais ampla (Postman, 2006, [p. 76]).

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Neil Postman

O discurso público perde, assim, a forma que o tornava apto à racionalidade: sob a cultura do impresso, tendia à coerência, seriedade e continuidade; sob a governança televisiva, passa a ser organizado pela visualidade, pela brevidade e pela exigência de interesse imediato (Postman, 2006, [p. 65-66]).

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Neil Postman

A informação é apresentada em forma simplificada, pouco substancial e descontextualizada, não necessariamente por censura explícita, mas porque a televisão opera como meta-meio, dirigindo tanto o que se conhece do mundo quanto os modos sociais de conhecer (Postman, 2006, [p. 58]).

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Neil Postman

A partir dessa mudança de base, política, religião, notícias, educação e comércio passam a ser rearranjados como anexos congeniais do show business, e a cultura tende a se converter em arena generalizada de entretenimento (Postman, 2006, [p. 58-59]).

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Neil Postman

Nessa chave, a ameaça contemporânea à democracia não precisa assumir a forma de censura, pois se realiza quando o discurso político assume a forma de entretenimento e neutraliza a própria seriedade do debate público (Postman, 2006, [p. 91-93]).

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Neil Postman

Ao deslocar o centro do discurso para a performance, o meio rebaixa a centralidade pública de temas substantivos e enfraquece as condições sociais do pensamento crítico, sobretudo quando a informação é apresentada de modo simplista e não contextual, isto é, como informação empacotada como entretenimento (Postman, 2006, [p. 92]).

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Neil Postman

Influenciado pela teoria de Jacques Ellul, na obra Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business (“Divertindo-nos até a morte: o discurso público na era do show business”, em tradução nossa), originalmente publicada em 1985, o pedagogo estadunidense Neil Postman (2006) investiga a influência da televisão sobre a cultura norteamericana, explorando as formas pelas quais a televisão, ao assumir a condição de meio de comunicação dominante, transformou o discurso público em entretenimento e impactou em profundidade as epistemologias sociais, culturais e políticas dos EUA.

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Neil Postman

No campo religioso, Postman sustenta que a televisão converte a religião, sem cerimônia, em entretenimento, removendo aquilo que a tornava uma prática histórica, profunda e sagrada, com perda de ritual, dogma, tradição, teologia e, sobretudo, de transcendência espiritual (Postman, 2006, [p. 79]).

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Neil Postman

Nessa formatação, os pregadores deixam de ser apenas mediadores e passam a funcionar como protagonistas midiáticos, de modo que “their featured players become celebrities” (Postman, 2006, [p. 82]).

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Neil Postman

O autor descreve esse deslocamento com ironia explícita ao dizer que, nesses programas, “the preacher is tops” e “God comes out as second banana” (Postman, 2006, [p. 79]).

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Neil Postman

Deus “exists only in our minds”, enquanto o pregador está “there, to be seen, admired, adored”, tornando-se a estrela do show sob uma lógica essencialmente estrutural (Postman, 2006, [p. 83]).

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Neil Postman

A contribuição final de Postman reside em um alerta para os perigos da "sociedade distraída" que o mecanismo de comunicação criara, um conceito que ressoa de forma contundente sob o contexto contemporâneo, no qual a realidade observada por Postman (2006) foi elevada à exponencialidade por via da inserção de novas tecnologias digitais de comunicação que apenas asseveraram e amplificaram as dinâmicas antes observadas pelo autor.

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Neil Postman

Sob Postman (2006) e Ellul (1968), a técnica impõe racionalidades, ritmos e critérios de pertinência que reordenam a experiência social e tornam certas consequências previsíveis sem que sejam apresentadas como decisões normativas explícitas.

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