Semiótica e linguagem
Maurizio Gnerre
A abertura de capítulo que declara a função deste autor está em Fundamentos.
Na lista de referências
- GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Onde a tese o cita
7 trechos, na ordem da tese.
Gnerre descreve a linguagem como mecanismo de bloqueio de acesso ao poder, afirmando que “a linguagem constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder” (Gnerre, 1991, p. 22), e define a função social de códigos fechados ao registrar que as “linguagens especiais” “excluem da comunicação as pessoas da comunidade lingüística externa ao grupo que usa a linguagem especial” (Gnerre, 1991, p. 23).
Na obra Linguagem, escrita e poder, Maurizio Gnerre (1991) investiga as relações entre linguagem verbal, tecnologia da escrita e hierarquias sociais, recusando a leitura da linguagem como simples veículo de informação e insistindo em seu papel como marcador de posição e instrumento de autoridade.
A começar do nível mais elementar de relações com o poder, a linguagem constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder. […] A função central de todas as linguagens especiais é social: elas têm um real valor comunicativo mas excluem da comunicação as pessoas da comunidade lingüística externa ao grupo que usa a linguagem especial e, por outro lado, têm a função de reafirmar a identidade dos integrantes do grupo reduzido que tem acesso à linguagem especial.” (Gnerre, 1991, p. 22-23).
Como afirma o autor, "a função central de todas as linguagens especiais é social: elas têm um real valor comunicativo mas excluem da comunicação as pessoas da comunidade lingüística externa ao grupo que usa a linguagem especial e, por outro lado, têm a função de reafirmar a identidade dos integrantes do grupo reduzido que tem acesso à linguagem especial." (Gnerre, 1991, p. 23).
Em sentido convergente, Gnerre observa que "a linguagem constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder", acrescentando que, para redigir documento com valor jurídico, não basta conhecer a língua em sentido ordinário, sendo necessário dominar "toda uma fraseologia complexa e arcaizante que é de praxe" (Gnerre, 1991, p. 22).
A língua padrão é um sistema comunicativo ao alcance de uma parte reduzida dos integrantes de uma comunidade" (Gnerre, 1991, p. 6).
O mesmo mecanismo aparece quando a plataforma ajusta sintaxe, léxico e quadro de referências de modo a restringir os destinatários efetivos da mensagem, já que, como acrescenta o autor, "para reduzir ou ampliar a faixa dos eventuais receptores das mensagens políticas e culturais é suficiente ajustar a sintaxe, o quadro de referências e o léxico" (Gnerre, 1991, p. 21).