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Economia política

Yanis Varoufakis

A abertura de capítulo que declara a função deste autor está em Fundamentos.

Na lista de referências

  • VAROUFAKIS, Yanis. Tecnofeudalismo: el sigiloso sucesor del capitalismo. Traducción de Marta Valdivieso. Barcelona: Ediciones Deusto, 2024.

Onde a tese o cita

124 trechos, na ordem da tese.

Yanis Varoufakis

A partir de Varoufakis (2024), Dowbor (2025) e Marx (2011; 2013), descreve-se um arranjo no qual plataformas combinam dependência infraestrutural, rentismo informacional, produção deliberada de escassez artificial e extração contínua de valor.

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Yanis Varoufakis

Em perspectiva macroeconômica, Yanis Varoufakis (2024) se distingue por propor a análise do que considera uma mudança paradigmática no panorama econômico global.

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Yanis Varoufakis

A chave dessa ruptura não é meramente tecnológica, mas econômico-institucional: os mercados deixam de operar como meio organizador predominante e são deslocados por plataformas que funcionam como feudos, enquanto o lucro perde o lugar de motor sistêmico e cede centralidade à renda, em especial à renda da nuvem (Varoufakis, 2024, p. 9).

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Yanis Varoufakis

Em termos de arquitetura do poder econômico, o argumento ganha densidade ao afirmar que os "pilares" do capitalismo são efetivamente substituídos por pilares próprios do tecnofeudalismo, articulando "feudos em nuvem" e "renda da nuvem" como núcleo explicativo de um modo de acumulação e dominação que reconfigura as formas de dependência e de acesso (Varoufakis, 2024, p. 9).

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Yanis Varoufakis

Sob essa moldura, Varoufakis (2024, p. 115) recusa expressamente as nomenclaturas de continuidade (como “hipercapitalismo” ou “capitalismo rentista”) porque, a seu ver, elas obscurecem o traço definidor do presente, marcado pela recentralização da renda e pela transformação do mercado em território administrado por infraestruturas proprietárias.

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Yanis Varoufakis

O lucro tende a ser corroído pela competição, enquanto a renda é sustentada por uma posição de controle e, portanto, resiste de outra forma à dinâmica competitiva (Varoufakis, 2024, p. 106-107).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis sustenta que o eixo definidor do tecnofeudalismo é o capital na nuvem, entendido como uma mutação recente do capital cuja propriedade reorganiza hierarquias econômicas e “mata” o capitalismo não por falta de capital, mas por transformação da forma-capital dominante (Varoufakis, 2024, p. 9).

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Yanis Varoufakis

A escolha da gramática feudal não funciona como metáfora decorativa, mas como descrição de dependência material mediada por infraestrutura e acesso (Varoufakis, 2024, p. 78-80).

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Yanis Varoufakis

O fornecedor controla o território no qual o valor nasce, circula e pode ser degradado (Varoufakis, 2024, p. 7-8).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis conecta a figura dos nuvistas à substituição do lucro pela renda como motor do sistema, e apresenta essa troca como o critério que exige abandonar o vocabulário do “capitalismo” em favor de uma descrição nova (Varoufakis, 2024, p. 7).

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Yanis Varoufakis

Na descrição da construção de ecossistemas móveis, a loja de aplicativos surge como pólo de atração de produção externa que permite extrair uma comissão fixa como forma de renda de acesso (Varoufakis, 2024, p. 110).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis (Varoufakis, 2024, p. 111) sustenta que a categoria de vassalo capitalista não se limita ao pequeno produtor.

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Yanis Varoufakis

Trabalhadores assalariados cada vez mais precários compõem um proletariado da nuvem, enquanto quase todo mundo atua como servo da nuvem, ao contribuir gratuitamente para a acumulação do capital na nuvem e para a consolidação dos feudos na nuvem que substituem os mercados (Varoufakis, 2024, p. 201).

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Yanis Varoufakis

Ao mesmo tempo, a disciplina passa a operar por decisões opacas e irrecorríveis, produzindo uma “espiral kafkiana” (Varoufakis, 2024, p. 74) de dispensa sem interlocução humana.

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Yanis Varoufakis

Usuários permanecem vinculados a dispositivos e ambientes que passam a dirigir condutas e escolhas, exercendo poder de comando sobre a vida ordinária (Varoufakis, 2024, p. 72-79).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis (2024, p. 154) sustenta que o tecnofeudalismo não apenas desloca a acumulação para a renda, mas desmonta as condições políticas que tornavam viável o repertório social-democrata.

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Yanis Varoufakis

Especialmente relevante à discussão central deste trabalho é o conceito de monopólio de demanda abordado por Varoufakis (2024), porque ele nomeia uma forma de poder que não se resume ao monopólio “da oferta”, nem à exclusividade formal típica do direito concorrencial clássico, consistindo, antes, na capacidade de capturar e governar o caminho até o consumidor.

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Yanis Varoufakis

A tendência, para o autor, é a bifurcação do sistema mundial em superfeudos digitais antagônicos, com eventos como o congelamento de reservas russas funcionando como sinais de inflexão sobre o risco político de depender de canais monetários controlados por outra potência (Varoufakis, 2024, p. 136-141).

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Yanis Varoufakis

Na obra Tecnofeudalismo: o sigiloso sucessor do capitalismo, o economista Yanis Varoufakis (2024) analisa o conceito de tecnofeudalismo enquanto fenômeno de total reconfiguração estrutural das dinâmicas socioeconômicas globais no plano contemporâneo.

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Yanis Varoufakis

Varoufakis (2024, p. 207-208) menciona o livro de Cédric Durand como uma das obras que contribuíram substancialmente para o debate sobre o impacto das grandes empresas de tecnologia.

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Yanis Varoufakis

En este apéndice, tras resumir cómo el capitalismo ha generado valor, excedentes y poder, esbozaré cómo se generan y distribuyen el excedente y el poder en nuestras sociedades tecnofeudales.” (Varoufakis, 2024, p. 181).

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Yanis Varoufakis

No el capital tal como lo entendemos desde el inicio de la era industrial, sino una nueva forma de capital, una mutación surgida en las dos últimas décadas, mucho más poderosa que su predecesora y que, como un virus estúpido e hiperactivo, ha acabado con su huésped.” (Varoufakis, 2024, p. 6-7).

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La llamo ‘renta de la nube’.” (Varoufakis, 2024, p. 7).

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Yanis Varoufakis

Más importante aún, al haberlo definido e identificado correctamente, creo que ahora estamos mejor preparados para entender el significado y la importancia de esta transformación sistémica, así como lo que todos nos jugamos con ella.” (Varoufakis, 2024, p. 115).

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Yanis Varoufakis

Al igual que varias mutaciones consecutivas multiplican las variantes de un organismo hasta que, en un momento dado, aparece una especie nueva, el cambio tecnológico avanza dentro de un sistema social hasta que, de repente, éste se ha transformado en algo bastante distinto, aunque eso no signifique que todos los elementos que componen el sistema —el capital, la mano de obra, el dinero— hayan cambiado necesariamente.” (Varoufakis, 2024, p. 52-53).

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Yanis Varoufakis

El tecnofeudalismo nació a través la actividad capitalista, y ahora está haciéndose con el poder de manera arrolladora.” (Varoufakis, 2024, p. 112).

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Una de ellas tuvo lugar más o menos en el momento en que me enseñabas la magia del hierro frente a nuestra chimenea.” (Varoufakis, 2024, p. 29).

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Yanis Varoufakis

El beneficio, por el contrario, acaba en los bolsillos de los empresarios que han invertido en cosas que de otro modo no existirían —por ejemplo, la bombilla de Edison o el iPhone de Jobs—. El hecho de que estas mercancías hayan sido inventadas y creadas por alguien, y de que, por lo tanto, otra persona pueda inventar y crear una versión mejor, es lo que hace que el beneficio sea vulnerable a la competencia.” (Varoufakis, 2024, p. 106- 107).

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Yanis Varoufakis

Ese papel, el de alimentar la economía, lo asumió el dinero de los bancos centrales.” (Varoufakis, 2024, p. 92).

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Yanis Varoufakis

En este período, empresarios intrépidos y talentosos como Jeff Bezos y Elon Musk pudieron construir su capital en la nube, supercaro y ultrapoderoso, sin necesidad de hacer ninguna de las tres cosas que los capitalistas habían hecho tradicionalmente para expandirse: pedir dinero prestado a algún banco, vender grandes partes de su negocio a otros o generar grandes beneficios para pagar nuevo capital social.” (Varoufakis, 2024, p. 93).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis usa a metáfora do “Minotauro global” para nomear o arranjo macroeconômico que sucede Bretton Woods, no qual o déficit comercial dos EUA e o retorno dos excedentes financeiros para Wall Street funcionam como mecanismo de “reciclagem” de capital e de estabilização do sistema, deslocando o eixo da dinâmica econômica para a esfera financeiro-monetária (Varoufakis, 2024, p. 43-46).

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Yanis Varoufakis

En 2021, Goldman Sachs, uno de los bancos menos amables de Wall Street, asombró al mundo financiero al publicar un ‘índice de tecnologías no rentables’, que demuestra perfectamente cómo el capitalismo se ha emancipado de los beneficios […].” (Varoufakis, 2024, p. 94).

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Yanis Varoufakis

O autor formula isso de modo direto ao afirmar que “Como resultado, sus propietarios —los nubelistas— han adquirido la habilidad de hacer algo que los Edison, los Westinghouse y los Ford nunca lograron: convertirse en una clase revolucionaria que desplaza activamente a los capitalistas de lo más alto del orden jerárquico de la sociedad.” (Varoufakis, 2024, p. 85).

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Yanis Varoufakis

Esse deslocamento não é apresentado como mera superioridade empresarial, mas como reconfiguração do objetivo e do mecanismo do poder econômico: ainda que invistam intensamente em P&D, política, marketing e até estratégias de cartelização e desmonte sindical, os nubelistas “no lo hacen para vender mercancías con el máximo beneficio posible, sino para extraer las máximas rentas de los capitalistas que sí lo hacen.” (Varoufakis, 2024, p. 115).

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Yanis Varoufakis

Varoufakis (2024, p. 7-8) descreve a reordenação hierárquica produzida pela nuvem como uma relação de dependência: os detentores de capital “tradicional” deixam de comandar o centro do sistema e passam a operar sob o poder da nova elite, por se tornarem vassalos (vasallos) dos proprietários do capital na nuvem (capital en la nube).

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Yanis Varoufakis

Essa vassalagem não é apenas nominal: ela se traduz em governança e dependência do canal, na medida em que “los fabricantes capitalistas convencionales se ven obligados […] a vender sus bienes según el dictamen de los ‘nubelistas’, a pagarles una tasa por el privilegio”, numa relação que “no difiere” da que tinham “los vasallos con sus señores feudales” (Varoufakis, 2024, p. 81).

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Yanis Varoufakis

Em termos de sistematização, o autor ainda enquadra o arranjo como “sistema de clases tecnofeudal”, no qual os nubelistas se tornam nova classe dominante e reduzem “al resto de los capitalistas […] a un estatus de vasallaje” (Varoufakis, 2024, p. 201).

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Yanis Varoufakis

Les concede feudos digitales basados en la nube, a cambio de una cuota, y luego deja que su ‘algo-sheriff’ vigile y cobre.” (Varoufakis, 2024, p. 78).

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Yanis Varoufakis

O autor enquadra esse deslocamento como parte da “verdadera disrupción histórica” ligada à automação do poder de mando e à conversão massiva de sujeitos em servos da nuvem: “No, la verdadera disrupción histórica fue automatizar el poder para mandar del capital y cedérselo a gente que estaba ‘fuera’ de la fábrica, la tienda o la oficina: convertirnos a todos, a los proletarios de la nube y a los demás, en siervos de la nube al servicio directo (no remunerado) del capital en la nube, sin la mediación de ningún mercado.” (Varoufakis, 2024, p. 80).

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Ele explicita a aparência de continuidade ao afirmar: “Es cierto, papá, que los nubelistas son —o al menos eran— capitalistas con esteroides [...] los nubelistas tuvieron que crearlo desde cero [...] invirtieron gigantescas cantidades de dinero en tecnología.” (Varoufakis, 2024, p. 113).

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Alexa y Siri no responden a nuestras preguntas a cambio de dinero [...] su objetivo es muy distinto: captar y modificar nuestra atención.” (Varoufakis, 2024, p. 113).

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Yanis Varoufakis

Mesmo quando há pagamento, a função permanece a mesma: “Estos aparatos se alquilan o venden a un precio barato, no por el beneficio insignificante (a menudo negativo) que se obtiene de ellos, sino para acceder a nuestros hogares y, a través de ellos, a una parte cada vez mayor de nuestra atención.” (Varoufakis, 2024, p. 113).

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Yanis Varoufakis

É esse poder infraestrutural sobre a atenção que viabiliza a extração sobre terceiros: “Es este poder sobre nuestra atención el que les permite cobrar la renta de la nube a los capitalistas vasallos que se dedican al anticuado negocio de vender sus mercancías.” (Varoufakis, 2024, p. 113).

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Yanis Varoufakis

A conclusão fecha o critério de distinção com a formulação que você já selecionou: “En última instancia, la inversión de los nubelistas no se destina a competir dentro de mercados capitalistas, sino a conseguir que los abandonemos por completo.” (Varoufakis, 2024, p. 113).

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Yanis Varoufakis

En realidad, la nube está formada por grandes almacenes de datos que contienen filas interminables de servidores conectados por una red de sensores y cables que se extiende por todo el planeta.” (Varoufakis, 2024, p. 71-72).

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Yanis Varoufakis

Nas palavras do autor: “El capital en la nube se define, físicamente, como la acumulación de maquinaria conectada en red, software, algoritmos basados en IA y hardware de comunicaciones que recorren todo el planeta y realizan una amplia variedad de tareas, nuevas y antiguas, por ejemplo: incitar a miles de millones de personas no asalariadas (siervos de la nube) a trabajar gratis (y a menudo de manera inconsciente) para reponer el stock de capital en la nube (por ejemplo, subir fotos y vídeos a Instagram o TikTok, o colgar críticas de películas, restaurantes y libros).” (Varoufakis, 2024, p. 196).

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Imponiendo a casi toda la humanidad que contribuya a su reproducción, ¡gratis!” (Varoufakis, 2024, p. 72).

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En ese punto, sucede algo más profundo que da a sus propietarios un poder inmenso: predecir nuestro comportamiento, guiar nuestras preferencias, influir en nuestras decisiones, hacernos cambiar de opinión para, así, reducirnos a sus sirvientes no remunerados, cuyo trabajo es proporcionar nuestra información, nuestra atención, nuestra identidad y, sobre todo, los patrones de comportamiento que entrenan a sus algoritmos.” (Varoufakis, 2024, p. 71).

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Yanis Varoufakis

A pesar de todo lo que se compra y se vende ahí, has entrado en un mundo que no puede considerarse un mercado, ni siquiera uno digital.’ Cuando digo esto a la gente, y lo hago a menudo en conferencias y debates, me miran como si estivesse loco.” (Varoufakis, 2024, p. 77).

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Yanis Varoufakis

Nas palavras do autor: “un minúsculo engranaje en una vasta red de poder basada en la nube, en la que tú eres un mero nodo, una mota de polvo digital, en el mejor de los casos, un juguete para unas fuerzas que escapan a tu comprensión o control.” (Varoufakis, 2024, p. 60).

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Así es como Google creó Google Play, la única alternativa seria a Apple Store.” (Varoufakis, 2024, p. 110).

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Apple y Google saben mejor que tú lo que ves, lees, compras, con quién te reúnes, cuándo y dónde.” (Varoufakis, 2024, p. 66-67).

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Aquello era mucho más que una locura trumpista.” (Varoufakis, 2024, p. 126).

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TikTok creó un nuevo feudo en la nube para siervos de la nube que buscaban una experiencia online diferente a la que migrar.” (Varoufakis, 2024, p. 115).

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Pero grandes o pequeños, poderosos o no, todos los capitalistas vasallos, por definición, dependen en mayor o menor medida de la venta de sus mercancías a través de un sitio de comercio electrónico, ya sea Amazon, eBay o Alibaba, y una parte considerable de sus ingresos netos se la llevan los nubelistas de los que dependen” (Varoufakis, 2024, p. 111).

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El tecnofeudalismo se fundamenta en un tecnoterror aséptico” (Varoufakis, 2024, p. 112).

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Como moldura comparativa, Varoufakis abre o parágrafo contrapondo a cobrança feudal “clássica” (coerção física) ao fato de que os nubelistas “no necesitan alguaciles para confiscar o desalojar”: a disciplina agora é exercida por arquitetura de acesso, ranqueamento e intermediação, e não por força direta (Varoufakis, 2024, p. 119).

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No prefácio, o autor fecha o diagnóstico de reordenação de classes com uma passagem direta, em que, depois de afirmar a vassalagem do capital “tradicional”, conclui: “En cuanto al resto, hemos vuelto a nuestra antigua condición de siervos y contribuimos a la riqueza y el poder de la nueva clase dominante con nuestro trabajo no remunerado, además de, cuando tenemos la oportunidad, con el trabajo asalariado que realizamos.” (Varoufakis, 2024, p. 8).

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Yanis Varoufakis

Em registro de sistematização, o apêndice consolida essa conversão em regra de estrutura de classes ao descrever que “casi todo el mundo actúa como un siervo de la nube [...], contribuyendo a que el capital en la nube acumule y construya los feudos en la nube [...] que están sustituyendo a los mercados.” (Varoufakis, 2024, p. 201).

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No encerramento da seção dedicada a essa figura social, ele formula a tese em termos inequívocos: “La verdadera revolución que ha impuesto a la humanidad es la conversión de miles de millones de personas en siervos de la nube dispuestos a trabajar gratis para reproducir el capital en la nube en beneficio de sus propietarios.” (Varoufakis, 2024, p. 76).

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El hecho de que lo hagamos de manera voluntaria, incluso con gusto, no quita que seamos fabricantes no remunerados; siervos de la nube cuyo duro trabajo cotidiano, fruto de su iniciativa, enriquece a un pequeño grupo de multimilmillonarios” (Varoufakis, 2024, p. 76).

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Nas palavras do autor: “La forma en que los proletarios de la nube —el término con el que me refiero a los trabajadores asalariados a los que algoritmos basados en la nube llevan físicamente al límite— sufren en el trabajo sería reconocida al instante por generaciones enteras de proletarios anteriores” (Varoufakis, 2024, p. 73).

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Como moldura, ele antecipa a objeção “isso importa?” e responde que a troca do mecanismo de controle (engrenagens vs. algoritmos conectados à “red neuronal de la empresa”) não altera o essencial: o que muda é o instrumento de comando, não o fato da exaustão imposta (Varoufakis, 2024, p. 73).

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Una renta de la nube” (Varoufakis, 2024, p. 111).

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“Liberados de los escrúpulos que tienen hasta los seres humanos inhumanos, los ‘algo-jefes’ son libres de reducir las horas pagadas a los trabajadores, aumentar su ritmo hasta niveles de locura o echarlos a la calle por ‘ineficientes’” (Varoufakis, 2024, p. 74).

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O efeito disciplinar culmina na experiência de desamparo: o despedido pelo sistema cai numa “espiral kafkiana”, incapaz de falar com alguém que explique ou permita contestação, o que reforça o poder tecnofeudal pelo medo permanente da exclusão (Varoufakis, 2024, p. 74).

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A consequência é formulada de maneira direta e extrema, como horizonte plausível do tecnofeudo, quando ele conclui que “Los sindicatos podrían desaparecer, e incluso no llegar a formarse.” (Varoufakis, 2024, p. 74).

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Nesse registro, Varoufakis afirma que “El tecnofeudalismo levanta una nueva gran barrera que impide la movilización contra él” e, em seguida, nomeia o núcleo dessa barreira como separação material entre os dois polos de exploração na nuvem: “La nueva gran barrera es el aislamiento físico entre los siervos de la nube y los proletarios de la nube.” (Varoufakis, 2024, p. 176).

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A forma desse isolamento é descrita como mediação permanente por dispositivos e telas, já que “Interactuamos con el capital en la nube, y estamos sometidos a él, a través de nuestras pantallas personales, nuestros teléfonos móviles, los dispositivos digitales que supervisan y controlan a los trabajadores de los almacenes de Amazon”, o que produz uma consequência direta para a ação coletiva, pois “La acción colectiva es más difícil cuando las personas tienen menos oportunidades de reunirse.” (Varoufakis, 2024, p. 176).

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É por isso que, logo após afirmar que “La acción colectiva es más difícil cuando las personas tienen menos oportunidades de reunirse”, Varoufakis conclui que justamente aí reside uma potência inesperada, já que o capital na nuvem “confiere a los potenciales rebeldes […] la capacidad de crear coaliciones, organizarse y actuar a través de la nube.” (Varoufakis, 2024, p. 176).

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O argumento é formulado como exigência estratégica de reunir sujeitos que, no arranjo atual, aparecem separados por posições e funções diferentes na nuvem, já que “para tener alguna posibilidad de derrocar al tecnofeudalismo y de que el demos vuelva a la democracia, es necesario reunir no sólo al proletariado tradicional y al de la nube, sino a los siervos de la nube y, además, al menos a algunos capitalistas vasallos”, porque “únicamente una gran coalición que los incluya a todos puede debilitar lo bastante el tecnofeudalismo.” (Varoufakis, 2024, p. 175).

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Imponiendo a casi toda la humanidad que contribuya a su reproducción, ¡gratis!” (Varoufakis, 2024, p. 72-75).

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Yanis Varoufakis

A consequência é que os avanços técnico-científicos culminam em um regime de governança prática da atenção e das condutas, pois o capital na nuvem: “ha descompuesto al individuo en fragmentos de datos, una identidad compuesta de elecciones expresadas por clics que sus algoritmos son capaces de manipular [...] para que todos nosotros nos convirtamos en siervos de la nube, pegados a nuestros smartphones y nuestras tabletas, produciendo ansiosamente el capital en la nube que mantiene a nuestros ‘nuevos señores’ en las nubes.” (Varoufakis, 2024, p. 15; 79).

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Yanis Varoufakis

Para o autor, a “verdadeira revolução” do sistema é justamente essa conversão de bilhões de pessoas em fabricantes voluntários e não remunerados de poder algorítmico (Varoufakis, 2024, p. 76).

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Yanis Varoufakis

É por isso que, ao tratar da assimetria de poder entre plataforma e usuário, ele observa que as corporações “pueden tratar a sus usuarios como quieran” e pergunta quando foi a última vez que alguém recusou os termos de uma atualização, justamente porque “tienen varios rehenes: nuestros contactos, amigos, historiales de chat, fotos, música, vídeos, todo lo cual perderemos si nos pasamos a un feudo en la nube de la competencia” (Varoufakis, 2024, p. 155).

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Yanis Varoufakis

É justamente essa intuição (o comando como organização material das condições de atividade) que Varoufakis (2024, p. 80-81) desloca para fora da fábrica ao descrever o “capital na nuvem” como infraestrutura de extração baseada em mediação e modificação de comportamento.

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Não por acaso, Varoufakis explicita que, ao prover conteúdos e interações, “somos nosotros quienes producimos y reproducimos […] el stock del capital en la nube”, ainda que de modo voluntário e prazeroso; e define a “terceira natureza” desse capital como “un medio producido de modificación del comportamiento”, capaz de ordenar consumidores e converter participação social em reprodução do próprio estoque de capital na nuvem (Varoufakis, 2024, p. 75-76).

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Yanis Varoufakis

Ele formula a mudança em contraste histórico, lembrando que “Antaño, los socialdemócratas tenían cierto poder sobre los industriales porque contaban con el respaldo de los sindicatos y podían amenazar con una regulación adversa”, mas conclui que, no presente, “los nubelistas no temen a los sindicatos poderosos porque los proletarios de la nube son demasiado débiles para crear uno y los siervos de la nube ni siquiera se consideran productores” (Varoufakis, 2024, p. 154).

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É nesse sentido que ele afirma, de modo direto, que “La regulación de precios es irrelevante cuando los servicios que el consumidor necesita que se protejan ya son gratuitos o los más baratos del mercado” (Varoufakis, 2024, p. 155), deslocando a crítica para a arquitetura da dependência e da captura de canais, onde o poder não se mede pela margem no balcão, mas pela capacidade de condicionar acesso, visibilidade e participação por meio de uma renda recorrente.

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É essa passagem de uma divisibilidade “simples” para uma indivisibilidade funcional que ele condensa na pergunta: “Pero ¿cómo se dividirían ahora Amazon, Facebook, PayPal o Tesla?” (Varoufakis, 2024, p. 155), imediatamente articulada à ideia de que a dominação se mantém também por mecanismos de bloqueio e retenção que tornam a saída custosa, o que ajuda a explicar por que a ameaça tradicional de “quebrar monopólios” já não opera como contrapeso automático.

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Ele condensa isso no diagnóstico de que “En este nuevo escenario político, la socialdemocracia es imposible”, explicando que “Ya no tenemos al capital en un bando y a los trabajadores en otro, lo que permitiría a un gobierno socialdemócrata hacer de árbitro y obligar a ambas partes a llegar a un acuerdo.” (Varoufakis, 2024, p. 157).

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No lugar dessa polaridade, o autor descreve um tabuleiro reorganizado pela ascensão dos nubelistas, em que “tenemos un centro y una derecha alternativa, ambos esclavizados por una nueva clase dominante, los nubelistas”, enquanto “la izquierda está absorta en una guerra civil” em torno de disputas internas que não enfrentam o novo regime de comando e extração (Varoufakis, 2024, p. 157).

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Ele formula isso ao observar que o impulso de proteger minorias e adotar uma gramática de justiça restaurativa “le viene muy bien a las personas en el poder que quieren parecer socialmente liberales”, desde que esse compromisso seja sobretudo retórico e não implique “hacer muy poco por proteger a las minorías de las causas sistémicas de su opresión.” (Varoufakis, 2024, p. 156- 157).

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É nesse ponto que o argumento se conecta diretamente à sua tese sobre o capital na nuvem, porque a adesão discursiva à política identitária funciona como substituto de uma agenda econômica de enfrentamento, já que “esta adhesión discursiva a la política de la identidad permite a quienes tienen autoridad no hacer nada contra el poder extractivo económico y político que se entrelaza cada vez más con el capital en la nube.” (Varoufakis, 2024, p. 157).

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O efeito estrutural é uma paralisia redistributiva dirigida contra a nova elite, enquanto a dinâmica ainda alimenta o campo adversário, pois, como ele acrescenta imediatamente, “a la derecha alternativa, nada podría gustarle más.” (Varoufakis, 2024, p. 157).

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Ao comparar com a regulação das telecomunicações que impôs interoperabilidade e portabilidade, ele afirma de modo categórico que “Lo único que temen los nubelistas es la interoperabilidad en la nube” (Varoufakis, 2024, p. 284), entendida como a possibilidade de “permitir a sus usuarios pasarse a otro feudo en la nube sin perder sus datos, libros electrónicos, historiales de chat, fotos, música, etcétera” (Varoufakis, 2024, p. 284).

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O alvo do argumento é claro: se a migração puder ocorrer sem perda de histórico e arquivo, a plataforma deixa de poder tratar esses bens como aquilo que mantém o usuário preso e, com isso, diminui o pedágio que sustenta a renda da nuvem e o poder de comando associado ao enclave digital, ainda que o próprio autor observe que a complexidade técnica dessa transferência ajuda a explicar por que os nubelistas “no están preocupados” com a imposição prática dessa medida (Varoufakis, 2024, p. 284).

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Daí que, para Varoufakis (2024, p. 154), os nubelistas não temem sindicatos porque “los proletarios de la nube son demasiado débiles para crear uno y los siervos de la nube ni siquiera se consideran productores”, indicando que a dependência deixa de ser organizada prioritariamente como dependência salarial coletiva e passa a ser vivida como adesão individualizada a sistemas de mediação.

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Varoufakis liga a escalada da desigualdade a uma reordenação de classes produzida pela concentração do capital na nuvem, apresentada de forma sintética já na abertura do livro, quando afirma que “los nuevos señores feudales son los propietarios de lo que llama ‘capital de la nube’” e que “los demás hemos vuelto a ser siervos, como en el medievo”, concluindo que “Es este nuevo sistema de explotación lo que está detrás del aumento de la desigualdad” (Varoufakis, 2024, p. 3).

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Essa imagem senhorial não opera apenas como metáfora, porque o próprio prefácio traduz a hierarquia em dependências estruturais: o “poder real” deixa de estar com os proprietários do capital tradicional, que “se han convertido en vasallos de una nueva clase de señor feudal, los propietarios del capital en la nube”, enquanto “el resto” retorna à condição de servos que “contribuimos a la riqueza y el poder de la nueva clase dominante con nuestro trabajo no remunerado” (Varoufakis, 2024, p. 8).

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O encadeamento fecha a ponte entre desigualdade e tecnofeudalismo: quando o acesso às infraestruturas digitais e aos canais de circulação se torna o ponto de comando, a acumulação se desloca para quem controla esse capital e rebaixa os demais a posições de vassalagem e servidão, o que ajuda a explicar por que o aumento da riqueza no topo aparece como efeito sistêmico, e não como desvio conjuntural (Varoufakis, 2024, p. 3; p. 8).

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Ele formula a distinção com clareza ao lembrar que, “En todas las eras doradas del capitalismo ha aumentado la desigualdad, porque los ricos obtienen beneficios con mayor rapidez que los pobres”, mas que “Los años posteriores a 2008 fueron diferentes”, pois “La desigualdad no aumentó porque los ingresos de los pobres aumentaran con mayor lentitud que los de los ricos, sino porque sus ingresos disminuyeron en realidad, mientras los financieros y las grandes empresas acumulaban ganancias” (Varoufakis, 2024, p. 88).

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Essa nuance se conecta ao argumento sobre a dissociação entre acumulação e lucro no mesmo ciclo histórico, em que, apesar de o lucro continuar como horizonte subjetivo, “El beneficio siguió siendo la ambición de todo capitalista, el objetivo de cualquier vendedor”, a dinâmica efetiva muda quando “la acumulación de capital […] se desvinculó de los beneficios”, deslocando o eixo da prosperidade social para mecanismos de valorização e captura que não dependem de melhora material generalizada (Varoufakis, 2024, p. 93).

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Na formulação do autor, o tecnofeudalismo radicaliza os efeitos psíquicos do “individualismo possessivo” ao derrubar o “cerco” que ainda oferecia ao indivíduo liberal algum refúgio frente ao mercado, de modo que “El capital en la nube ha descompuesto al individuo en fragmentos de datos, una identidad compuesta de elecciones expresadas por clics que sus algoritmos son capaces de manipular”, produzindo sujeitos que “más que ser posesivos, están poseídos, personas incapaces de ser dueñas de sí mismas” (Varoufakis, 2024, p. 152).

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Ao descrever a intolerância como “compensación emocional” diante das frustrações e ansiedades produzidas pela disputa por identidade e atenção, o autor insiste que a moderação de comentários e a regulação do discurso de ódio “no pueden parar esto” justamente porque se trata de algo “intrínseco al capital en la nube”, na medida em que “sus algoritmos optimizan las rentas de la nube, que surgen más abundantemente del odio y la insatisfacción” (Varoufakis, 2024, p. 153).

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Ao fechar a análise geopolítica, Varoufakis formula um paradoxo deliberadamente desconfortável, depois de ponderar a possibilidade de que “Xi” (referindo-se a Xi Jinping, presidente da República Popular da China) esteja, ao menos “en teoría, y de forma muy indirecta”, impondo limites políticos aos nubelistas e até aos capitalistas chineses, mas admitindo que é “imposible saberlo” e que nem mesmo um eventual aumento salarial permitiria concluir pela revitalização do demos, ele arremata que “es muy fascinante que el único rayo de esperanza para cualquier demos del mundo surja en medio de una sociedad sometida al totalitarismo” (Varoufakis, 2024, p. 149).

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A provocação funciona como crítica indireta à impotência regulatória do Ocidente, porque desloca o foco da “boa vontade” liberal para a questão, mais dura, da capacidade efetiva de impor freios ao capital na nuvem, num cenário em que a engenharia política típica da social-democracia já não encontra base para arbitrar conflitos e “la socialdemocracia es imposible” (Varoufakis, 2024, p. 178).

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No apêndice em que Varoufakis fixa o vocabulário de economia política que vai sustentar a comparação entre capitalismo e tecnofeudalismo, ele registra que os mercados “pueden ser más o menos competitivos” e também assumir assimetrias pelo lado da demanda, sendo “oligopsonísticos (muchos vendedores, pocos compradores)” e, no limite, tenderem “al monopsonio”, em contraste com as assimetrias pelo lado da oferta (oligopólio/monopólio) (Varoufakis, 2024, p. 182).

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Ao inserir explicitamente a categoria de oligopsônio/monopsônio na própria definição de mercado, ele amarra que nem toda falha de mercado é “monopólio do vendedor”, e prepara o passo seguinte do argumento, que é separar essas distorções internas do mercado daquilo que ele chama de tecnofeudalismo, no qual o comércio deixa de ser um encontro descentralizado e passa a ser centralizado em feudos na nuvem dirigidos por algoritmos que conectam as partes sob controle proprietário (Varoufakis, 2024, p. 182).

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Ele observa que, quanto maior a competição entre empregadores, mais o salário tende a refletir o valor de troca do trabalho mercantil do trabalhador, mas que, “en los mercados laborales dominados por uno o pocos empleadores”, o salário fica abaixo desse valor e a diferença “se traduce en un tipo de renta de monopsonio [...] que se queda el empresario” (Varoufakis, 2024, p. 186).

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No “mundo de Jeff”, a Amazon “no es un pueblo con mercado” e “ni siquiera es una especie de mercado digital hipercapitalista”, porque “incluso los peores mercados son lugares de encuentro” nos quais as pessoas ainda podem “interactuar e intercambiar información”, e, mesmo sob monopólio, “al menos, los compradores pueden hablar entre sí, formar asociaciones, tal vez organizar un boicot de consumo para obligar al monopolista a reducir el precio o mejorar la calidad”; já no feudo, “todo y todos están intermediados” por um algoritmo que não opera como “mano invisible”, mas como mediação proprietária que bloqueia comunicação autônoma e faz a coordenação horizontal simplesmente não acontecer (Varoufakis, 2024, p. 77-78).

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No trecho em que acompanha o cotidiano de um usuário com a Alexa, ele insiste que o dispositivo “escucha, observa y aprende” preferências e hábitos e, justamente por isso, à medida que “nos va conociendo”, a rede que opera por trás do aparelho “ha adquirido un poder considerable para dirigir nuestra realidad y guiar nuestras elecciones, es decir, para mandar sobre nosotros” (Varoufakis, 2024, p. 60).

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Depois de “conhecer nossos gostos”, o sistema passa a “selecioná-los” e opera precisamente por exposição dirigida, “exponiéndonos a imágenes, textos y vídeos que elige para condicionar con sutileza nuestros deseos” (Varoufakis, 2024, p. 61).

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O ponto decisivo é que essa arquitetura não depende só de vigilância, mas de uma dinâmica de retroalimentação em que o usuário fornece dados ao interagir e, com isso, melhora o próprio dispositivo de condução que o reposiciona como alvo de novos estímulos, instaurando o “bucle infinito” em que “está entrenándonos para que la entrenemos para que nos entrene para entrenarla para que nos entrene […] ad infinitum” (Varoufakis, 2024, p. 61).

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A centralidade da dimensão geopolítica é sinalizada já na própria arquitetura do livro, quando Varoufakis dedica um capítulo inteiro a enquadrar a rivalidade sino-americana como expressão do regime tecnofeudal, intitulando-o diretamente “El impacto global del tecnofeudalismo: la nueva guerra fría” (Varoufakis, 2024, p. 126).

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Ele explicita esse ponto ao afirmar que, “comparada con la Guerra Fría original, la nueva guerra fría tiene poco que ver con la política; está motivada por crudos intereses de clase tecnofeudales” (Varoufakis, 2024, p. 135).

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A passagem amarra essa motivação à ameaça que o avanço das “finanzas en la nube” chinesas representaria para os polos de poder estadunidenses, isto é, para Wall Street e Silicon Valley, na medida em que deslocaria as “ventajas comparativas” do arranjo anterior em direção à classe dirigente chinesa (Varoufakis, 2024, p. 135).

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O autor afirma que, sob o impacto combinado da guerra na Ucrânia e da “gran inflación”, num ambiente que “están empeorando la pobreza, agravando el cambio climático y generando una atmósfera de miedo”, “el mundo se está dividiendo en dos superfeudos en la nube antagónicos: uno estadounidense, el otro chino”, e que “no saldrá nada bueno y valioso de esta bifurcación” (Varoufakis, 2024, p. 141).

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Lida em continuidade com o diagnóstico de que a nova guerra fria é movida por “crudos intereses de clase tecnofeudales” (Varoufakis, 2024, p. 135), essa divisão em superfeudos aparece como a tradução geopolítica do poder de plataforma em escala planetária, convertendo a disputa entre Estados em disputa por ecossistemas digitais hegemônicos que condicionam dependências, alinhamentos e margens de autonomia fora do terreno tradicional da concorrência de mercado.

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A invasão da Ucrânia funciona como gatilho para uma resposta que “cambió toda la ecuación”, quando “la Reserva Federal congeló cientos de miles de millones de dólares que pertenecían al banco central ruso”, mantendo-os “dentro del circuito de pagos en dólares que Estados Unidos controla por completo” (Varoufakis, 2024, p. 136).

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A consequência, para o autor, é um sinal sistêmico emitido ao restante dos grandes detentores de ativos em dólar, já que “fue la primera vez en la historia capitalista que el dinero de un banco central importante era confiscado por otro banco central” (Varoufakis, 2024, p. 136), tornando mais racional a busca por rotas alternativas de liquidação e reserva e, por essa via, contribuindo para a aceleração da clivagem que ele descreve como divisão do mundo em “dos superfeudos en la nube antagónicos” (Varoufakis, 2024, p. 141).

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No exemplo didático, o autor contrasta a fricção das transferências internacionais “convencionais” com a hipótese de carteiras do Banco Popular da China, em que a remessa se conclui “al instante y sin coste alguno”, justamente porque a liquidação em yuan digital elimina intermediários em cascata e, sobretudo, contorna “el canal internacional de transferencia de dinero que está totalmente controlado por las autoridades estadounidenses” (Varoufakis, 2024, p. 138).

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A consequência política do desenho é explícita, já que, ao reduzir a necessidade de passagem por bancos, bancos centrais e pelo corredor dolarizado, o yuan digital aparece como “la peor pesadilla de Washington y los banqueros privados” (Varoufakis, 2024, p. 139), isto é, como ameaça direta à capacidade de controle exercida pelos EUA sobre fluxos e sanções no interior do sistema de pagamentos.

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No caso europeu, a vulnerabilidade não decorre apenas de decisões diplomáticas, mas de uma carência material de capacidade própria no novo regime, de modo que “La falta de capital en la nube de Europa significa que la nueva guerra fría, sumada a la crisis energética provocada por la guerra en Ucrania que afectó a sus fabricantes, ya han hecho que Europa sea geoestratégicamente irrelevante” (Varoufakis, 2024, p. 143).

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Para o Sul Global, a bifurcação aparece como escolha forçada entre domínios digitais concorrentes, porque “Con el mundo dividido en dos superfeudos en la nube, uno basado en el dólar y el otro en el yuan, se ven obligados a elegir un señor feudal al que someterse” (Varoufakis, 2024, p. 143), e essa pressão se intensifica quando o antigo arranjo de circulação financeira se fecha, já que “La nueva crisis de deuda está obligando a las clases dirigentes del sur global a elegir un bando” (Varoufakis, 2024, p. 144).

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Ao encadear sua crítica à “morte do indivíduo liberal”, ele sustenta que recuperar a liberdade como soberania individual exige uma mudança de arquitetura, pois “rescatar esa idea liberal fundacional —la libertad como soberanía individual— exigirá, por lo tanto, una reconfiguración completa de los derechos de propiedad sobre los instrumentos de producción, distribución, colaboración y comunicación, que cada vez se basan más en la nube” (Varoufakis, 2024, p. 153).

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A consequência é assumidamente disruptiva, já que, para reconstituir o sujeito liberal em condições tecnofeudais, “tenemos que hacer algo que los liberales detestan: planear una nueva revolución” (Varoufakis, 2024, p. 153).

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A forma jurídica é propositalmente simples e igualitária: “cada empleado tiene una única acción que recibe al ser contratado”, ação que “no se puede vender ni alquilar” e que “otorga a cada empleado un único voto” (Varoufakis, 2024, p. 165).

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Com isso, o poder decisório deixa de ser prerrogativa do capital acionário e se redistribui como governança cotidiana, já que “todas las decisiones […] se adoptan de manera colectiva” e o voto é exercido por meio da intranet, concebida como “una asamblea permanente de accionistas” (Varoufakis, 2024, p. 165).

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O efeito institucional pretendido é cortar a mediação típica das finanças e da especulação, pois a regra “sólo una” ação por empregado, inegociável, tanto dissolve a figura do acionista externo quanto reconfigura a empresa como espaço de deliberação e não como objeto de compra e venda (Varoufakis, 2024, p. 165).

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O desenho institucional é local e deliberadamente orientado à redistribuição, já que “cada región está gestionada por una Asociación Municipal” encarregada de “supervisa[r] la división del suelo entre zonas comerciales y sociales”, de modo que “las rentas recaudadas en las primeras financian la provisión de viviendas sociales en las segundas” (Varoufakis, 2024, p. 173).

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A alternativa aparece como uma “plataforma de micropagos”, que ele chama de “Un céntimo por tus pensamientos”, combinada a uma “Carta de Derechos Digitales” que “garantiza a todo el mundo el derecho a elegir qué datos vender y a quién”, de modo que “los desarrolladores de aplicaciones que necesitan nuestros datos tienen que pagar para obtener los de los usuarios que den su consentimiento” (Varoufakis, 2024, p. 168).

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A formulação dialoga diretamente com a leitura de Varoufakis (2024) sobre a consolidação de estruturas monopolistas no ambiente digital e ajuda a ancorar economicamente a tese do tecnofeudalismo, ao enfatizar a capacidade de capturar fluxos vitais e impor pedágios digitais em escala planetária.

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A leitura dialética de Varoufakis (2024) e Dowbor (2024), combinada à homologia estrutural do lumpemproletariado em Marx (2011; 2013), permite reconstruir, por camadas, o núcleo econômico que sustenta essa forma de poder.

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