Economia política
Karl Marx
A abertura de capítulo que declara a função deste autor está em Fundamentos.
Na lista de referências
- MARX, Karl. O 18 de brumário de Luís Bonaparte. Tradução de Nélio Schneider. Prólogo de Herbert Marcuse. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.
- MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013.
Onde a tese o cita
16 trechos, na ordem da tese.
A partir de Varoufakis (2024), Dowbor (2025) e Marx (2011; 2013), descreve-se um arranjo no qual plataformas combinam dependência infraestrutural, rentismo informacional, produção deliberada de escassez artificial e extração contínua de valor.
Para Marx ([2013]), a passagem da manufatura à grande indústria reorganiza a subordinação do trabalho como efeito sistêmico da maquinaria e do regime fabril.
Por isso, ao descrever a fábrica, Marx ([2013], p. 608-609) observa que a subordinação técnica ao “andamento uniforme” do meio de trabalho “cria uma disciplina de quartel, que evolui até formar um regime fabril completo”, com supervisão e hierarquização próprias.
Marx (2011) descreve uma massa social instável que pode ser organizada e ativada como dispositivo prático de poder, operando em funções que não se deixam reduzir ao trabalho produtivo regular, mas que são decisivas para a estabilização de um comando e para a fabricação de efeitos públicos de legitimidade e ordem.
Marx (2011) descreve a organização do lumpemproletariado como uma força capaz de improvisar público, simular entusiasmo, intimidar opositores e agir com tolerância/proteção institucional, funcionando como engrenagem para o desempenho do poder e a fabricação de consenso em ato.
E o instituto da compra passa a ser integrado por todas as instituições do Estado: o Senado, o Conselho de Estado, o Legislativo, a Legião de Honra, as medalhas militares, os banhos públicos, os prédios públicos, as ferrovias, o état-major [Estado-maior] da Guarda Nacional sem comuna, os bens confiscados da casa de Orléans. [...] A corte, os ministérios, os cargos de chefia da administração e do exército são assediados e tomados por um bando de indivíduos, sendo que a respeito do melhor deles se pode dizer que não se sabe de onde vem; trata-se de uma boemia barulhenta, mal-afamada e predadora que rasteja em vestes engalanadas com a mesma postura elegante dos altos dignitários de Soulouque.’” (Marx, 2011, [p. 94])
Era ‘sociedade beneficente’ na medida em que todos os seus membros, a exemplo de Bonaparte, sentiam a necessidade de beneficiar-se à custa da nação trabalhadora.” (Marx, 2011, [p. 57]).
Do lado do proletariado parisiense não havia ninguém além dele mesmo. […] Mais de 3 mil insurgentes foram trucidados após a vitória, 15 mil foram deportados sem julgamento.” (Marx, 2011, [p. 26])
Os partidos que lutaram alternadamente pelo poder consideraram a tomada de posse desse monstruoso edifício estatal como a parte do leão dos despojos do vencedor.” (Marx, 2011, p. 87).
Segundo Marx (2011, [p. 57-58]): “Esse Bonaparte se constitui como chefe do lumpemproletariado, porque é nele que identifica maciçamente os interesses que persegue pessoalmente, reconhecendo, nessa escória, nesse dejeto, nesse refugo de todas as classes, a única classe na qual pode se apoiar incondicionalmente; esse é o verdadeiro Bonaparte, o Bonaparte sans phrase [sem retoques].
A isso eu chamo de fetichismo, que se cola aos produtos do trabalho tão logo eles são produzidos como mercadorias e que, por isso, é inseparável da produção de mercadorias.” (Marx, 2013, p. 206-207).
Tudo o mais de que se apropria lhe é entregue pela força da conjuntura, tudo o mais que ele faz é efetuado para ele pela correlação dos fatos ou ele se contenta em copiar os feitos dos outros; mas os seus discursos oficiais sobre ordem, religião, família e propriedade, proferidos publicamente diante dos cidadãos, tendo respaldado pela sociedade secreta dos Schufterles e Spiegelbergs, a sociedade da desordem, da prostituição e da roubalheira: isto é Bonaparte em pessoa como autor original e a história da Sociedade 10 de Dezembro é a sua própria história.” (Marx, 2011, [p. 58]).
Ele pare filhotes, ou pelo menos põe ovos de ouro.” (Marx, 2013, p. 297).
O comando do capitalista não é apenas uma função específica, proveniente da natureza do processo social de trabalho e, portanto, peculiar a esse processo, mas, ao mesmo tempo, uma função de exploração de um processo social de trabalho, sendo, por isso, determinada pelo antagonismo inevitável entre o explorador e a matéria-prima de sua exploração.” (Marx, 2013, p. 504).
O consumo individual do trabalhador continua a ser, assim, um momento da produção e reprodução do capital, quer se efetue dentro, quer fora da oficina, da fábrica etc.” (Marx, 2013, p. 787-788).
A leitura dialética de Varoufakis (2024) e Dowbor (2024), combinada à homologia estrutural do lumpemproletariado em Marx (2011; 2013), permite reconstruir, por camadas, o núcleo econômico que sustenta essa forma de poder.