Poder e subjetividade
Ana Flávia Merino Lesnovski
Na lista de referências
- LESNOVSKI, Ana Flávia Merino. Uma experiência paradigmática: jogos e tensões no encontro entre a narrativa e a interatividade em forma audiovisual e eletrônica. Porto Alegre, 2014. 295 f. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2014.
Onde a tese o cita
7 trechos, na ordem da tese.
Ao examinar narrativas interativas e jogos, Lesnovski observa que esse tipo de experiência se organiza por tensões permanentes entre escolha e controle, ilusão e simulação, ação e identidade, culminando na produção de uma “experiência de liberdade controlada”, em que a atuação do usuário ocorre sempre em relação com uma estrutura que a antecede e a condiciona (Lesnovski, 2014, p. 7).
O ponto se torna ainda mais preciso quando a autora assinala que aquele que interage é previsto na própria estrutura e que a experiência interativa se forma no acoplamento entre estímulos do sistema e respostas do participante, sem que este deixe de agir, mas também sem que atue em exterioridade ao ambiente que o organiza (Lesnovski, 2014, p. 16; p. 18).
Em semelhante direção, ao tratar dos sistemas de recompensa e punição, Lesnovski mostra que eles não operam apenas como reações episódicas a condutas isoladas, mas como formas de controle do sistema sobre ações livres e potencialmente desviantes, mantendo a experiência em fluxo, evitando aporias e reconduzindo aquele que interage ao percurso estruturalmente previsto (Lesnovski, 2014, p. 79-80).
Em A autora sustenta que a narrativa interativa não deve ser lida nem como liberdade plena do interator, nem como puro engodo, mas como um campo de tensões em que texto, sistema e participante se articulam em relações variáveis de escolha, controle, ilusão, simulação, ação e identidade (Lesnovski, 2014, p. 7).
Seu argumento é especialmente relevante ao afirmar que a experiência interativa cria uma “liberdade controlada”, na qual a atuação do usuário ocorre no interior de uma estrutura que o prevê e lhe oferece margens de intervenção sem jamais abandonar o comando das condições de possibilidade da própria experiência (Lesnovski, 2014, p. 7; p. 18).
A autora também trabalha a função dos sistemas de recompensa e punição como formas de controle do sistema computacional sobre ações livres e potencialmente descontroladas do interator, observando que tais mecanismos não servem apenas para premiar ou castigar pontualmente, mas para manter a experiência em fluxo, evitar desvios excessivos e reconduzir a interação a trilhas inteligíveis para o próprio sistema (Lesnovski, 2014, p. 79-80).
Quando há desequilíbrio, contudo, a própria experiência pode degenerar em frustração ou castigo, o que revela a delicadeza do arranjo entre liberdade sentida e limitação estrutural (Lesnovski, 2014, p. 175).