Objeto e laboratório
Michael Burawoy
Na lista de referências
- BURAWOY, Michael. The extended case method: four countries, four decades, four great transformations, and one theoretical tradition. Los Angeles: University of California Press, 2009.
Onde a tese o cita
5 trechos, na ordem da tese.
Nessa moldura, a passagem do micro ao macro não depende de representatividade estatística nem de generalização indutiva ampla, pois se orienta à reconstrução controlada do aparato teórico mobilizado, por fricções e anomalias identificáveis no caso (Burawoy, 2009, p. 21; p. 43).
Registra-se, contudo, o risco inerente ao próprio gesto reconstrutivo, descrito por Burawoy como processo coercitivo de “double fitting”, no qual situações complexas podem ser ajustadas à teoria e, em seguida, a teoria reajustada ao caso para “digerir” a anomalia (Burawoy, 2009, p. 60).
O extended case method descreve o uso de um caso como laboratório para conectar mecanismos situados a forças estruturais, operando a passagem do “micro” ao “macro” com apoio explícito em teoria pré-existente e com orientação à reconstrução teórica, em lugar de mera confirmação (Burawoy, 2009, p. 21; p. 43).
A generalização pertinente, nesse enquadramento, é analítica, pois se mede pela contribuição do caso para extensão e refinamento das categorias mobilizadas, inclusive pela exploração de anomalias e tensões que imponham revisão do aparato teórico (Burawoy, 2009, p. 13; p. 43; p. 53).
Ao mesmo tempo, ela obriga o reconhecimento de riscos internos do procedimento, como normalização e “duplo ajuste”, que exigem contenção metodológica para evitar que o caso seja domesticado pela teoria ou que a teoria seja ajustada por conveniência narrativa (Burawoy, 2009, p. 56; p. 60).